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Fomos Banidos pela Meta? O Paradoxo do Conteúdo Grátis e a Censura ao Artista Independente no Brasil

Fomos Banidos pela Meta? O Paradoxo do Conteúdo Grátis e a Censura ao Artista Independente no Brasil

O paradoxo das relações entre o público e as marcas na internet (e fora dela).

Todo mundo que vende arte ou artesanato online já sabe que se não postar nas redes sociais, raramente vai conseguir alcançar o público (comprador ou não). Mas o que significa postar nas redes sociais se não criar gratuitamente conteúdo de entretenimento e/ou informação para as pessoas?

O público rapidamente se acostuma a receber diariamente conteúdos das páginas e a relação passa a ser algo como patrão x empregado, em que artistas/artesãos viram criadores de conteúdo e estão num cenário em que ‘devem’ criar entretenimento inédito e de qualidade, de forma gratuita, para consumidores que irão avaliar, curtir, comentar, compartilhar e, quem sabe, comprar este ou aquele produto/serviço oferecido. O público passa a ver a marca como um ‘amigo neutro’ que o ajuda e entretém no dia a dia e passa a defender ou criticar de acordo com a sua visão de mundo.

Todos os dias recebemos muitos comentários e mensagens maravilhosas de pessoas que se sentem acolhidas, se identificam com a arte, riem, se divertem e estão sempre apoiando como podem. Ao mesmo tempo, recebemos comentários reclamando que não somos neutros, que nos posicionamos politicamente ou falamos mal do trabalho, do bolsonarismo, dos bilionários, da extrema-direita, do capitalismo e, como quem pede o dinheiro de volta (nunca compraram nada), bradam que vão parar de seguir a página (adeus?). E assim acaba a relação de funcionário público do entretenimento instagramável e do consumidor de conteúdo online.

Tivemos recentemente a experiência de ter banido o anúncio pago da Caneca Sofrendo de Capitalismo que, unicamente pelo nome, foi considerado uma ofensa às políticas da Meta, que rejeita toda e qualquer crítica ao sistema. Criar conteúdo ‘grátis’ não tem alcance tão grande. Pagar anúncios não é garantia de sucesso.

Até que ponto as marcas/artistas deixam de se posicionar para não ‘irritar’ algoritmos, consumidores de conteúdo e evitar banimento das plataformas?

Existem estratégias para diminuir este poder do mal, como, por exemplo, blogs, newsletters, grupos e canais alternativos para o público que mais importa. Abraçar o caos e ser transparente sobre o que está acontecendo, denunciar e vir a público, dividir opiniões mesmo.

Aqui nós gostamos de usar o humor para confundir e claramente está funcionando, pois a quantidade de gente irritada com o cachorrinho que quer queimar burguês só não é maior do que a quantidade de pessoas maravilhosas que, assim como a gente, acreditam que o mundo pode ser melhor sem a existência de bilionários.

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